Entre
os anos de 2008 e 2011, observamos e vivenciamos um aumento assustador dos
efeitos das mudanças climáticas, do aquecimento global e do desequilíbrio
ecológico em todo o mundo, especialmente no Brasil, e em Santa Catarina. Por
inúmeras vezes, acompanhamos na mídia notícias de catástrofes humanas com
muitas vítimas fatais, feridos e desabrigados, causados ora por secas severas,
ora por enchentes avassaladoras. A destruição e a morte causadas por fenômenos
naturais passaram a fazer parte do nosso cotidiano.
Porém,
não podemos analisar estes eventos de forma isolada, independente, muito menos
pensar que são todos culpa do ser humano e de sua “sede” de desenvolvimento
capitalista. Devemos estudar cada um dos fenômenos em rede, pois eles são
interligados. Estes eventos climáticos são naturais, acontecem no meio físico
desde o surgimento do planeta, bem como do surgimento do próprio ser humano. O
que está acontecendo na atualidade é que o homem está povoando o planeta de
forma desordenada e desestruturada. Os fenômenos climáticos estão mais
visíveis, porque a mídia os mostra; um terremoto seguido de Tsunami e acidente
em usina Nuclear no Japão foi transmitido para o mundo todo no exato momento em
que estava ocorrendo. Portanto, não podemos definir apenas que existe um
aumento do número de eventos climáticos catastróficos, mas também uma evolução
e expansão dos meios de comunicação em massa, que transmitem essas informações
para a população de todo o mundo, e esta também deve ser levada em conta, já
que tem se multiplicado muito nos últimos anos. E se a população está em um
ritmo de crescimento acelerado, consequentemente sofre e irá sofrer mais ainda
as consequências destes fenômenos.
Desde
a colonização brasileira, no inicio do século XVI, o modelo agrícola adotado
foi desastroso; intensa utilização do solo, técnicas arcaicas, prevalência de
monoculturas, extrativismo, devastação de Biomas, alteração no curso dos rios,
uso excessivo de agrotóxicos e adubos químicos, poluição de rios e lagos, bem
como das florestas e dos mangues, etc.
Se
analisarmos a produção alimentícia brasileira na atualidade, podemos perceber a
emergência de uma mudança, ou de uma reforma. O agronegócio brasileiro, além de
ser dispendioso, sofre com a falta de infraestrutura das estradas, das empresas
de transporte e dos portos para escoamento da produção. Outro problema grave é
a concentração de terras, as monoculturas, a intensa poluição advinda dos
agrotóxicos e adubos químicos utilizados em demasia, bem como dos dejetos de
animais, que muitas vezes são despejados nos rios.
No
que tange ao modelo agrícola, o Brasil possui umas das maiores disparidades na
distribuição de terras do mundo. Os latifúndios ainda predominam, em um país
que ainda não consegue realizar de forma eficiente a reforma agrária. Sem
contar que muitas das grandes propriedades de terra estão se tornando
improdutivas em longo prazo, devido ao uso excessivo de adubos e agrotóxicos,
ou por proliferação de pragas. Somando-se a isso, está o crescente e expressivo
êxodo rural dos últimos anos, motivado pela falta de incentivos eficazes para a
agricultura familiar, principalmente para a agricultura orgânica, que deve ser
uma alternativa para a produção de alimentos de qualidade. As pequenas cidades
estão assistindo aos seus jovens saírem de casa rumo ao meio urbano, em busca
de emprego e renda, ou para grandes cidades, em busca de estudo e empregos
melhores. Restando apenas as pessoas mais velhas para trabalhar na agricultura;
se a família não disponibilizar de máquinas, equipamentos, grandes áreas de
terra, de capital de giro e de empregados para ajudar nas atividades, com
certeza, estes abandonarão a agricultura; se não quando vier a aposentadoria,
antes ainda, mudando-se para as cidades em busca de algum emprego fixo, que
lhes pague salários mensais.
As
grandes propriedades rurais, que produzem geralmente uma única cultura estão
condicionadas as mudanças climáticas repentinas. Não possuindo alternativas
para a produção monocultora, ficam vulneráveis aos eventos climáticos que podem
dizimar criações, ou devastar plantações, deixando o agricultor com dívidas, e
sem garantias para os próximos anos. Como essas propriedades geralmente produzem
para exportar, também estão condicionadas as regras de mercado, e quase sempre
as mercadorias (consideradas como commodities)
são cotadas em dólar, deixando a agricultura brasileira extremamente atrelada á
economia externa.
A produção de
energia no Brasil segue o mesmo padrão da maioria dos países:
COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS ENERGIAS POLUIDORAS
Para piorar ainda mais
nossa situação, o governo ainda insiste em manter as Usinas Nucleares ativas.
Essa fonte de energia é indiscutivelmente poderosa no quesito produtividade com
baixo impacto territorial, porém, esse benefício é desmascarado quando levamos
em conta o aspecto econômico dessa fonte de energia. O custo de produção é
altíssimo, a matéria-prima (o Urânio) é explorado no Brasil, mas tem que ser
enviado para fora do país para ser enriquecido. Outra questão importante, sobre
as Usinas Nucleares brasileiras, é que elas são construídas com tecnologia
estrangeira, aumentando nossa dependência externa sobre a energia.
Como se não bastasse, existe e
persiste o problema do lixo nuclear. Os rejeitos ou sobras do material
radioativo que sobra de Hangra 1 e Hangra 2, no Rio de Janeiro, fica armazenado
dentro das próprias Usinas, porém, este material permanece perigoso por vários
séculos. Uma parte desse material pode ser reciclado, mas uma parte não, e
precisa armazenado durante muito tempo, até perder a energia armazenada, e o
potencial contaminador. Mesmo possuindo um local para destinar esse lixo, o
Brasil fica dependente de ter ele em seu território, o que poderá causar um
acidente, uma contaminação, como ocorreu em Goiânia, em 1987 com o elemento
Césio 137, que estava armazenado em uma máquina de Radiografia, abandonada em
um terreno baldio, e que foi violada por uma criança.
E mesmo com o acidente na Usina de
Fukushima, no Japão, em março de 2011, o Brasil continuará ignorando o perigo
da produção de energia nuclear, e está preparando o projeto de mais quatro
usinas nucleares: duas na região Sudeste e duas na região Nordeste. Segundo
Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energias Nucleares (CNEN),
o país não tem outra saída para o atendimento da demanda futura de energia,
senão através das usinas nucleares, que complementarão as Hidrelétricas. Porém,
o professor da USP de São Paulo José Goldberg, ressalta que o país pode e deve
investir mais em energias renováveis. Ao invés de usinas nucleares no Nordeste,
devem ser construídas centrais solares e eólicas, já que a região é
privilegiada nesses dois aspectos.
Também sobre as fontes de energia
que o Brasil utiliza, devemos destacar e dar ênfase ao Petróleo. Um dos principais
dilemas é em relação às atuais descobertas na camada pré-sal.
Indiscutivelmente, essas reservas são um patrimônio nacional e a exploração
precisa ser ordenada por uma estratégia de desenvolvimento para o país. Porém,
a exploração, e consequentemente o desenvolvimento do Brasil deve ser
sustentável, nos próximos anos. Primeiro, porque, apesar de as reservas do
pré-sal ultrapassarem aos 10 bilhões de barris, essa fonte de combustível é
finita, ou seja, não pode ser renovada. E sem contar que os combustíveis
advindos dessa fonte são altamente poluentes, geradores de gases que aceleram o
efeito estufa, como o CO2, que causam a chuva ácida e inúmeros
problemas ambientais, destacando-se o aquecimento global.
Precisamos avançar para além da
produção de energias limpas. Além disso, devemos consumir menos energia e
reduzir profundamente nossos padrões de produção e consumo, tanto de
combustíveis, como alimentos, como bens duráveis. Vivemos em um país bastante populoso,
porém que sofre de um povoamento desordenado. Destacando a região Sudeste, que
possui duas características econômicas distintas. De um lado, a região mais
desenvolvida, mais dinâmica, mais industrializada. Porém, do outro lado, está a
região com maior número de favelas, com a população mais pobre e mais excluída
do ponto de vista cultural e econômico. Sem contar que as favelas são reduto do
tráfico de drogas, armas e outros tipos de crimes, o que só aumenta as
diferenças de consumo. E são essas diferenças que devemos destacar aqui.
De um lado, pessoas utilizam
veículos que consomem 96% da sua energia apenas para mover-se, e somente 4%
para transportar uma pessoa. Do outro lado, ainda temos pessoas que necessitam
se deslocar por quilômetros de distância para conseguir tratamento médico, onde
não existem meios de transporte eficiente. Bem como as pessoas que necessitam
de 2 ou 3 conduções para chegar até o trabalho, passando mais tempo em viagem,
do que trabalhando, ou em casa. Algumas pessoas consomem demasiadamente,
possuem condições de comprar vários itens da indústria, enquanto outras vivem
em completa exclusão, falta-lhes tudo: comida, água, habitação segura, saúde,
energia, educação e saneamento básico. Podemos dizer que essas pessoas não
vivem, apenas sobrevivem.
Observamos e produzimos tanto
desperdício diariamente que às vezes acabam sendo aceitos e passam
despercebidos. Devemos também avançar em direção á uma mudança nas relações de
trabalho. Uma opção, já em discussão, diz respeito à redução da jornada de
trabalho. Porém, com a finalidade de estimular a produção do necessário, em
detrimento do que é supérfluo. Produzimos muitos artigos que são completamente
desnecessários a manutenção da vida, e que acabam degradando mais ainda o meio
ambiente, desde a exploração da matéria-prima, até a disposição final dos
resíduos desses produtos.
Da mesma forma que devemos aos
poucos substituir nossas fontes de energia fósseis por energias renováveis,
mais baratas, menos impactantes tanto ambiental quanto socialmente, mais
saudáveis, também precisamos criar regulamentações que estimulem a produção de
energias limpas de maneira democrática. Necessitamos de políticas públicas e de
legislação que assegurem ao pequeno produtor rural para que possa transformar
sua propriedade em autossuficiente do ponto de vista energético, bem como para
que produza excedentes. Outra tarefa importante do governo é prevenir a
formação de novos monopólios energéticos no Brasil, tanto na geração,
transmissão ou na distribuição, como já ocorre hoje, com a matriz Hidrelétrica.
Mas ai entram duas questões básicas
a serem respondidas: Estamos diante de limitações técnicas ou políticas que
imperam o desenvolvimento de uma matriz energética sustentável no Brasil? Se o
governo pode financiar 80% de uma PCH para o setor privado, porque não financia
as prefeituras para que possam investir num projeto dessa natureza e assim
garantir a iluminação pública?
As tecnologias existentes no Brasil
têm sido insuficientes para tirar o país da dependência dos combustíveis
fósseis e das formas impactantes de produção de energia elétrica. Por isso os
governos precisam investir maciçamente em ciência e tecnologia – o que só
ocorrerá se houver vontade política – e na constituição de organizações
público-privadas para o controle dessas atividades. Um exemplo são os centros
de pesquisas ou incubadoras tecnológicas, onde são mantidas as empresas e suas
atividades de pesquisa para desenvolver formas cada vez mais eficientes de
produção de energia. Outra opção seria a constituição de reservas
internacionais e nacionais de capital, oriundos da produção e consumo de
combustíveis fósseis: quem produz e quem consome paga um imposto sobre isso.
Porém, trata-se de uma questão
estratégica que exige escolhas imediatas entre dois caminhos: continuar
investindo na exploração de energias poluentes e caras; ou aplicar recursos
para promover o uso de energias como a do Sol ou do vento, as quais se renovam
a cada segundo, são limpas e existem em abundância no Brasil. Essa mudança de
rumo envolve confrontar os interesses hegemônicos do setor energético mundial,
o que certamente impera uma tomada de decisão.
O problema da produção de energia no
Brasil vem acompanhado do problema da produção de alimentos. Em Santa Catarina,
alguns municípios estão trocando a produção de verduras, legumes e grãos pelo
plantio de pinus. Se esta situação persistir, em pouco tempo não haverá nenhum
agricultor para produzir alimentos nessas terras, muitas delas já em processo
de venda e arrendamento. As áreas antes dedicadas à produção de alimento agora
recebem boias-frias que vivem da derrubada de pinus para as fábricas de
celulose e papel. Esse cenário se repete em outras regiões brasileiras que
passaram a se dedicar a produção intensiva de Álcool combustível (Etanol).
Regiões inteiras estão abraçando a monocultura da cana-de-açúcar e não possuem
nenhuma cultura ou criação alternativa á sustentabilidade. Nesses locais
encontramos outro problema: a exploração da mão-de-obra, muitas vezes mantida
em condições de escravidão, e os trabalhadores acabam se submetendo a contratos
temporários, o que força o governo a manter as famílias durante os períodos da
entressafra, pagando cestas básicas e programas assistenciais. E são milhões de
pessoas vivendo nessas condições no Brasil, em número crescente. Porém o meio
urbano vem ignorando essa situação, mas vai sentir duramente os resultados,
quando faltarem alimentos básicos nas mesas.
Atualmente, o carvão, o petróleo e
o gás natural fornecem cerca de 80% das necessidades energéticas do planeta, e
emitem a maior parte do dióxido de carbono (CO2) e outros gases
associados ao efeito estufa. A demanda por energia pode aumentar 50% até 2030,
com elevação das emissões de carbono; se continuar inalterada, essa tendência pode
aumentar a temperatura global em até 6 graus. Acabar com a dependência da
humanidade em relação aos combustíveis fósseis significa exigir nada menos que
uma “revolução energética global”. Isso somente será possível se todos os
países fizerem investimentos significativos na geração de energia limpa,
renovável; reduzir as emissões de carbono, melhorar a eficiência energética e
reduzir o consumo de eletricidade.
Essa
transição não vai ser fácil, mas precisamos mudar radicalmente e rapidamente.
Para entender o motivo dessa mudança, é preciso considerar as vantagens dos
combustíveis fósseis: eles podem ser obtidos com facilidade, podem ser
transportados e são ricos em energia calórica. A energia renovável, por outro
lado, é abundante. A qualquer hora, o Sol envia mais energia para a Terra que a
consumida por toda a população humana durante um ano inteiro. O problema é que
ela está no polo oposto do carvão ou do petróleo: em vez de ser muito
concentrada, ela está bastante difusa. Está espalhada; há um pouco dela por
toda parte, exceto a noite. O mesmo se dá com o vento e várias outras
alternativas. Isso não as torna inviáveis. Podemos não ter uma solução única
definitiva, mas talvez tenhamos várias soluções parciais. Devemos pensar na
complementaridade das fontes de energia. Usar aquilo que a natureza oferece,
porém de forma racional.
Mesmo
assim, ainda é difícil vislumbrar de que modo vamos obter energia para o mundo
em que estamos habituados a viver. Basta atentarmos para todos os equipamentos
que compõem nossa sociedade: todos dependem de materiais poluentes e de
combustíveis fósseis que agora estão se esgotando e ameaçando destruir o nosso
clima. De algum modo, temos de mudar tudo isso a fim de obter uma matriz
energética com outras fontes – e precisamos fazer isso sem que haja colapso da
economia global.
Vivemos
na emergência de um país novo, sustentável, limpo e justo. Já não é mais
suficiente tratar apenas da preservação ambiental, uma vez que sem
sustentabilidade social e alimentos para todos, ela torna-se uma meta quase
impossível de se alcançar.