PROFESSOR:
LUCIANO SARTORI
DISCIPLINA:
GEOGRAFIA
SÉRIE: 3ª -
ENSINO MÉDIO
ESTUDOS EM
GEOGRAFIA POLÍTICA
A CIDADE:
AGENTES TERRITORIAIS URBANOS
A cidade é
uma das mais extravagantes expressões da capacidade criativa e das relações de
poder empreendidas pela sociedade. É nela que as decisões são tomadas e é, em
grande parte, por ela que são tomadas. Deste modo, tanto a cidade quanto o
urbano são resultado da forma de organização da própria sociedade, e ao mesmo
tempo produto desta.
Contudo, mais
importante que os próprios processos de construção e reconstrução urbana, são
os agentes territoriais urbanos. É desses que emanam o poder e as estratégias
de gestão deste, é a partir deles, e do que definem por prioridade, que são
traçadas prioridades e é a partir deles que as decisões são tomadas.
Diante dessa
importante variável, que se constituem os agentes territoriais urbanos, é
preciso considerar alguns aspectos, como o valor econômico dos recursos humanos
de uma cidade e a importância da gestão dos recursos naturais existentes,
justamente no sentido de traçar um plano claro de desenvolvimento
. Examinemos mais detalhadamente cada um
deles.
Importante lembrar que a palavra Desenvolvimento difere substancialmente do conceito de Crescimento. Enquanto a primeira prevê o crescimento da economia local, do ponto de vista financeiro, associado à justiça social e ao equilíbrio ambiental, a segunda trabalha apenas com as cifras do aspecto monetário.
Um dos
maiores erros cometido pelos responsáveis pela gestão das cidades é a sua
ignorância em relação ao aspecto estratégico da população. Muitos não atentam
que dela é que emana o potencial criativo, produtivo, de consumo e
estratégico-militar.
Cada um
desses potenciais configura-se como decisivo, de acordo com o tipo de cidade
que se deseja empreender. Essa noção descortina uma forma de pensar e produzir
a cidade, bem diferente daquela que imagina a cidade como algo acidental e
completamente espontâneo. Lopes (1998, p. 21) deixa isso muito claro quando
afirma que “terminou o tempo das cidades acidentais, que cresciam a partir de
condicionantes diversas de uma sociedade mais crescente que organizada”. E
muito mais que isso, “o mundo exige a cidade internacional, lugar em que o
futuro é pensado e construído de forma organizada, participativa e planejada”.
Um exemplo
bastante claro do viés estratégico que o potencial dos atores pode ter são os
grandes centros de excelência tecnológica na área da informática, entre eles
São Paulo, Porto Alegre, Campinas; importantes centros que dependem diretamente
da criatividade do ser humano. Outro exemplo é a questão estratégico-militar
que as cidades localizadas ao longo da fronteira exercem. É a ocupação desses
espaços que garantem a permanência das fronteiras e sua integridade econômica,
política e cultural. O potencial produtivo desenvolve-se lado a lado com o de
poder de compra, mas com a peculiaridade do primeiro necessitar da qualificação
dessa mão-de-obra.
Portanto, o
ser humano, seja o papel que exerça na construção do território, ele é peça
fundamental para o desenvolvimento. Cada um participando de diferentes
territórios, que se sobrepõem, se completam e se materializam no espaço
geográfico.
Tanto a
cidade como as áreas de produção agrícolas se articulam nesse processo
territorial
, que tem como motor
produtivo as técnicas e tecnologias em cada sistema econômico, político,
cultural, no sentido de apropriação e construção do espaço geográfico.
Nesse
ínterim, os problemas ambientais (de modo especial os urbanos) são parte desse
momento histórico e representa as fragilidades sociais vigentes e a limitação
dos instrumentos, técnicas e tecnologias disponível.
A articulação
desses diferentes territórios só é possível com o que Castells chamou de
geometria fixa ou geometria flexível, que nada mais é do que a configuração das
redes e dos fluxos nelas existentes.
Analisando a
construção do espaço urbano de Chapecó pode-se perceber que o elemento
determinante foi o potencial produtivo, mas também a construção de redes e o
estabelecimento de fluxos. Essa realidade é indiscutível no sentido de até 1950
a população do município de Chapecó pouco crescia, pois não contava com um
sistema de redes que pudesse dinamizar a construção da economia local. A
bibliografia apresenta situações em que, na falta de moeda circulante, o
vale-salário era o que imprimia movimento ao nascente município.
Nesse período
o aspecto do território mais importante era o ambiental, pois era este quem
atraia os imigrantes, era este que definia o ritmo e as atividades locais e
principalmente era esse que definia as características das redes e fluxos.
Aplicando o conceito de Castells, terem-se portanto, uma geometria fixa no
início da colonização do oeste catarinense.
A
problemática da circulação era tão importante e definidora do território que a
própria suinocultura e bovinocultura se desenvolveu como uma das principais
atividades para romper as dificuldades de transporte do produto, o suíno e o
bovino podem caminhar até o centro consumidor.
Diante desses
aspectos é possível ter uma pequena idéia de como os territórios são integrados
e dependem de um sistema de comunicação eficiente e eficaz.
Por outro
lado, por mais que o oeste catarinense e Chapecó estivessem com dificuldades de
manter amplas redes e fluxos, esse território já participava, direta ou
indiretamente, da economia global. Muitos questionariam essa afirmação, mas o
que seria o global senão a articulação dos locais? Onde iniciaria o global e
findaria o local?
Contudo ainda
cabe o questionamento em torno do conceito de economia global e globalização,
seria ela realmente global, ou estaria ela apenas agindo em escala mundial.
Paulo Nogueira Batista Junior apresenta diversas razões para que assumirmos o
conceito de mundialização, haja vista que nem todos os territórios participam
dessa economia dita globalizada, mas são mundialmente afetadas pelos que
participam. Seja como for, o fato que une os dois conceitos é uma terceira
noção, a de interdependência entre os territórios, que é promovida e cimentada
pela teleinformática e empresa transnacional.
Sua
importância está na própria construção de “novos espaços de fluxos” (LOPES,
1998, p. 43), dando novos significados e paradigmas em torno de conceitos como
o de fronteira. Um exemplo muito evidente é a importância econômica, política e
cultural da internet no cenário mundial.
Nesse
contexto, o local assume um poder de gestão e articulação sob o global. A
cidade possui a vocação natural para fomentar esse processo, mas mesmo a ela
são necessárias estruturas que possibilitem e alavanquem o desenvolvimento,
assumindo liderança no seu raio de influência.
Outras
questões também devem ser consideradas ao pensar e escrever sobre cidade, é a
própria seletividade e estratificação territorial. Castells é bastante claro
quando afirma que:
Também é preciso entender que a economia
globalizada, gerada na sociedade em rede, não cobre todo o espaço geográfico do
planeta, não envolve todos os processos econômicos, não inclui todos os
territórios e não envolve todo o povo em seus trabalhos, embora afete direta ou
indiretamente toda a humanidade, sendo altamente dinâmica, excludente e
instável em suas fronteiras. (CASTELLS,1996
apud LOPES, 1998, p. 27)
Assim, os territórios que busquem se integrar
precisarão mais que empresas, mais que a mera produção, mais que realizar o
necessário, é uma questão de competitividade inter-territorial, principalmente
ao considerar os territórios econômicos.
Nesse sentido, é preciso ter muito claro em que
sentido se está planejando a cidade, qual o horizonte desse planejamento e
sobretudo quais os objetivos desse. Assim como a cidade não é mais ocasional,
mas intencional, também os administradores e suas políticas públicas devem ter
muito claro o objetivo que perseguem empreendendo obras.
AVALIAÇÃO
1 – Na sua opinião, por que a cidade é considerada
uma das mais extravagantes expressões da capacidade criativa da humanidade?
2 – Segundo o texto, quais foram os elementos
fundamentais na constituição da cidade?
3 – Pensando na cidade que você reside, e nas
características desta (sobras e faltas), explique por que as cidades de hoje
devem ser “Intencionais” e não mais “Acidentais”.