domingo, 10 de fevereiro de 2013

DESENVOLVIMENTISMO OU PRODUTIVISMO: O QUE O BRASIL PRECISA PARA SE TORNAR SUSTENTÁVEL Á LONGO PRAZO




Entre os anos de 2008 e 2011, observamos e vivenciamos um aumento assustador dos efeitos das mudanças climáticas, do aquecimento global e do desequilíbrio ecológico em todo o mundo, especialmente no Brasil, e em Santa Catarina. Por inúmeras vezes, acompanhamos na mídia notícias de catástrofes humanas com muitas vítimas fatais, feridos e desabrigados, causados ora por secas severas, ora por enchentes avassaladoras. A destruição e a morte causadas por fenômenos naturais passaram a fazer parte do nosso cotidiano.
Porém, não podemos analisar estes eventos de forma isolada, independente, muito menos pensar que são todos culpa do ser humano e de sua “sede” de desenvolvimento capitalista. Devemos estudar cada um dos fenômenos em rede, pois eles são interligados. Estes eventos climáticos são naturais, acontecem no meio físico desde o surgimento do planeta, bem como do surgimento do próprio ser humano. O que está acontecendo na atualidade é que o homem está povoando o planeta de forma desordenada e desestruturada. Os fenômenos climáticos estão mais visíveis, porque a mídia os mostra; um terremoto seguido de Tsunami e acidente em usina Nuclear no Japão foi transmitido para o mundo todo no exato momento em que estava ocorrendo. Portanto, não podemos definir apenas que existe um aumento do número de eventos climáticos catastróficos, mas também uma evolução e expansão dos meios de comunicação em massa, que transmitem essas informações para a população de todo o mundo, e esta também deve ser levada em conta, já que tem se multiplicado muito nos últimos anos. E se a população está em um ritmo de crescimento acelerado, consequentemente sofre e irá sofrer mais ainda as consequências destes fenômenos.
Desde a colonização brasileira, no inicio do século XVI, o modelo agrícola adotado foi desastroso; intensa utilização do solo, técnicas arcaicas, prevalência de monoculturas, extrativismo, devastação de Biomas, alteração no curso dos rios, uso excessivo de agrotóxicos e adubos químicos, poluição de rios e lagos, bem como das florestas e dos mangues, etc.
Se analisarmos a produção alimentícia brasileira na atualidade, podemos perceber a emergência de uma mudança, ou de uma reforma. O agronegócio brasileiro, além de ser dispendioso, sofre com a falta de infraestrutura das estradas, das empresas de transporte e dos portos para escoamento da produção. Outro problema grave é a concentração de terras, as monoculturas, a intensa poluição advinda dos agrotóxicos e adubos químicos utilizados em demasia, bem como dos dejetos de animais, que muitas vezes são despejados nos rios.
No que tange ao modelo agrícola, o Brasil possui umas das maiores disparidades na distribuição de terras do mundo. Os latifúndios ainda predominam, em um país que ainda não consegue realizar de forma eficiente a reforma agrária. Sem contar que muitas das grandes propriedades de terra estão se tornando improdutivas em longo prazo, devido ao uso excessivo de adubos e agrotóxicos, ou por proliferação de pragas. Somando-se a isso, está o crescente e expressivo êxodo rural dos últimos anos, motivado pela falta de incentivos eficazes para a agricultura familiar, principalmente para a agricultura orgânica, que deve ser uma alternativa para a produção de alimentos de qualidade. As pequenas cidades estão assistindo aos seus jovens saírem de casa rumo ao meio urbano, em busca de emprego e renda, ou para grandes cidades, em busca de estudo e empregos melhores. Restando apenas as pessoas mais velhas para trabalhar na agricultura; se a família não disponibilizar de máquinas, equipamentos, grandes áreas de terra, de capital de giro e de empregados para ajudar nas atividades, com certeza, estes abandonarão a agricultura; se não quando vier a aposentadoria, antes ainda, mudando-se para as cidades em busca de algum emprego fixo, que lhes pague salários mensais.
As grandes propriedades rurais, que produzem geralmente uma única cultura estão condicionadas as mudanças climáticas repentinas. Não possuindo alternativas para a produção monocultora, ficam vulneráveis aos eventos climáticos que podem dizimar criações, ou devastar plantações, deixando o agricultor com dívidas, e sem garantias para os próximos anos. Como essas propriedades geralmente produzem para exportar, também estão condicionadas as regras de mercado, e quase sempre as mercadorias (consideradas como commodities) são cotadas em dólar, deixando a agricultura brasileira extremamente atrelada á economia externa.


A produção de energia no Brasil segue o mesmo padrão da maioria dos países:


ALTO CONSUMO                              ALTA PRODUÇÃO                                ALTO DESPERDÍCIO


 

                    COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS                          ENERGIAS POLUIDORAS

               Para piorar ainda mais nossa situação, o governo ainda insiste em manter as Usinas Nucleares ativas. Essa fonte de energia é indiscutivelmente poderosa no quesito produtividade com baixo impacto territorial, porém, esse benefício é desmascarado quando levamos em conta o aspecto econômico dessa fonte de energia. O custo de produção é altíssimo, a matéria-prima (o Urânio) é explorado no Brasil, mas tem que ser enviado para fora do país para ser enriquecido. Outra questão importante, sobre as Usinas Nucleares brasileiras, é que elas são construídas com tecnologia estrangeira, aumentando nossa dependência externa sobre a energia.
            Como se não bastasse, existe e persiste o problema do lixo nuclear. Os rejeitos ou sobras do material radioativo que sobra de Hangra 1 e Hangra 2, no Rio de Janeiro, fica armazenado dentro das próprias Usinas, porém, este material permanece perigoso por vários séculos. Uma parte desse material pode ser reciclado, mas uma parte não, e precisa armazenado durante muito tempo, até perder a energia armazenada, e o potencial contaminador. Mesmo possuindo um local para destinar esse lixo, o Brasil fica dependente de ter ele em seu território, o que poderá causar um acidente, uma contaminação, como ocorreu em Goiânia, em 1987 com o elemento Césio 137, que estava armazenado em uma máquina de Radiografia, abandonada em um terreno baldio, e que foi violada por uma criança.
            E mesmo com o acidente na Usina de Fukushima, no Japão, em março de 2011, o Brasil continuará ignorando o perigo da produção de energia nuclear, e está preparando o projeto de mais quatro usinas nucleares: duas na região Sudeste e duas na região Nordeste. Segundo Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energias Nucleares (CNEN), o país não tem outra saída para o atendimento da demanda futura de energia, senão através das usinas nucleares, que complementarão as Hidrelétricas. Porém, o professor da USP de São Paulo José Goldberg, ressalta que o país pode e deve investir mais em energias renováveis. Ao invés de usinas nucleares no Nordeste, devem ser construídas centrais solares e eólicas, já que a região é privilegiada nesses dois aspectos.
            Também sobre as fontes de energia que o Brasil utiliza, devemos destacar e dar ênfase ao Petróleo. Um dos principais dilemas é em relação às atuais descobertas na camada pré-sal. Indiscutivelmente, essas reservas são um patrimônio nacional e a exploração precisa ser ordenada por uma estratégia de desenvolvimento para o país. Porém, a exploração, e consequentemente o desenvolvimento do Brasil deve ser sustentável, nos próximos anos. Primeiro, porque, apesar de as reservas do pré-sal ultrapassarem aos 10 bilhões de barris, essa fonte de combustível é finita, ou seja, não pode ser renovada. E sem contar que os combustíveis advindos dessa fonte são altamente poluentes, geradores de gases que aceleram o efeito estufa, como o CO2, que causam a chuva ácida e inúmeros problemas ambientais, destacando-se o aquecimento global.
            Precisamos avançar para além da produção de energias limpas. Além disso, devemos consumir menos energia e reduzir profundamente nossos padrões de produção e consumo, tanto de combustíveis, como alimentos, como bens duráveis. Vivemos em um país bastante populoso, porém que sofre de um povoamento desordenado. Destacando a região Sudeste, que possui duas características econômicas distintas. De um lado, a região mais desenvolvida, mais dinâmica, mais industrializada. Porém, do outro lado, está a região com maior número de favelas, com a população mais pobre e mais excluída do ponto de vista cultural e econômico. Sem contar que as favelas são reduto do tráfico de drogas, armas e outros tipos de crimes, o que só aumenta as diferenças de consumo. E são essas diferenças que devemos destacar aqui.
            De um lado, pessoas utilizam veículos que consomem 96% da sua energia apenas para mover-se, e somente 4% para transportar uma pessoa. Do outro lado, ainda temos pessoas que necessitam se deslocar por quilômetros de distância para conseguir tratamento médico, onde não existem meios de transporte eficiente. Bem como as pessoas que necessitam de 2 ou 3 conduções para chegar até o trabalho, passando mais tempo em viagem, do que trabalhando, ou em casa. Algumas pessoas consomem demasiadamente, possuem condições de comprar vários itens da indústria, enquanto outras vivem em completa exclusão, falta-lhes tudo: comida, água, habitação segura, saúde, energia, educação e saneamento básico. Podemos dizer que essas pessoas não vivem, apenas sobrevivem.
            Observamos e produzimos tanto desperdício diariamente que às vezes acabam sendo aceitos e passam despercebidos. Devemos também avançar em direção á uma mudança nas relações de trabalho. Uma opção, já em discussão, diz respeito à redução da jornada de trabalho. Porém, com a finalidade de estimular a produção do necessário, em detrimento do que é supérfluo. Produzimos muitos artigos que são completamente desnecessários a manutenção da vida, e que acabam degradando mais ainda o meio ambiente, desde a exploração da matéria-prima, até a disposição final dos resíduos desses produtos.
            Da mesma forma que devemos aos poucos substituir nossas fontes de energia fósseis por energias renováveis, mais baratas, menos impactantes tanto ambiental quanto socialmente, mais saudáveis, também precisamos criar regulamentações que estimulem a produção de energias limpas de maneira democrática. Necessitamos de políticas públicas e de legislação que assegurem ao pequeno produtor rural para que possa transformar sua propriedade em autossuficiente do ponto de vista energético, bem como para que produza excedentes. Outra tarefa importante do governo é prevenir a formação de novos monopólios energéticos no Brasil, tanto na geração, transmissão ou na distribuição, como já ocorre hoje, com a matriz Hidrelétrica.
            Mas ai entram duas questões básicas a serem respondidas: Estamos diante de limitações técnicas ou políticas que imperam o desenvolvimento de uma matriz energética sustentável no Brasil? Se o governo pode financiar 80% de uma PCH para o setor privado, porque não financia as prefeituras para que possam investir num projeto dessa natureza e assim garantir a iluminação pública?
            As tecnologias existentes no Brasil têm sido insuficientes para tirar o país da dependência dos combustíveis fósseis e das formas impactantes de produção de energia elétrica. Por isso os governos precisam investir maciçamente em ciência e tecnologia – o que só ocorrerá se houver vontade política – e na constituição de organizações público-privadas para o controle dessas atividades. Um exemplo são os centros de pesquisas ou incubadoras tecnológicas, onde são mantidas as empresas e suas atividades de pesquisa para desenvolver formas cada vez mais eficientes de produção de energia. Outra opção seria a constituição de reservas internacionais e nacionais de capital, oriundos da produção e consumo de combustíveis fósseis: quem produz e quem consome paga um imposto sobre isso.
            Porém, trata-se de uma questão estratégica que exige escolhas imediatas entre dois caminhos: continuar investindo na exploração de energias poluentes e caras; ou aplicar recursos para promover o uso de energias como a do Sol ou do vento, as quais se renovam a cada segundo, são limpas e existem em abundância no Brasil. Essa mudança de rumo envolve confrontar os interesses hegemônicos do setor energético mundial, o que certamente impera uma tomada de decisão.
            O problema da produção de energia no Brasil vem acompanhado do problema da produção de alimentos. Em Santa Catarina, alguns municípios estão trocando a produção de verduras, legumes e grãos pelo plantio de pinus. Se esta situação persistir, em pouco tempo não haverá nenhum agricultor para produzir alimentos nessas terras, muitas delas já em processo de venda e arrendamento. As áreas antes dedicadas à produção de alimento agora recebem boias-frias que vivem da derrubada de pinus para as fábricas de celulose e papel. Esse cenário se repete em outras regiões brasileiras que passaram a se dedicar a produção intensiva de Álcool combustível (Etanol). Regiões inteiras estão abraçando a monocultura da cana-de-açúcar e não possuem nenhuma cultura ou criação alternativa á sustentabilidade. Nesses locais encontramos outro problema: a exploração da mão-de-obra, muitas vezes mantida em condições de escravidão, e os trabalhadores acabam se submetendo a contratos temporários, o que força o governo a manter as famílias durante os períodos da entressafra, pagando cestas básicas e programas assistenciais. E são milhões de pessoas vivendo nessas condições no Brasil, em número crescente. Porém o meio urbano vem ignorando essa situação, mas vai sentir duramente os resultados, quando faltarem alimentos básicos nas mesas.
                Atualmente, o carvão, o petróleo e o gás natural fornecem cerca de 80% das necessidades energéticas do planeta, e emitem a maior parte do dióxido de carbono (CO2) e outros gases associados ao efeito estufa. A demanda por energia pode aumentar 50% até 2030, com elevação das emissões de carbono; se continuar inalterada, essa tendência pode aumentar a temperatura global em até 6 graus. Acabar com a dependência da humanidade em relação aos combustíveis fósseis significa exigir nada menos que uma “revolução energética global”. Isso somente será possível se todos os países fizerem investimentos significativos na geração de energia limpa, renovável; reduzir as emissões de carbono, melhorar a eficiência energética e reduzir o consumo de eletricidade.
Essa transição não vai ser fácil, mas precisamos mudar radicalmente e rapidamente. Para entender o motivo dessa mudança, é preciso considerar as vantagens dos combustíveis fósseis: eles podem ser obtidos com facilidade, podem ser transportados e são ricos em energia calórica. A energia renovável, por outro lado, é abundante. A qualquer hora, o Sol envia mais energia para a Terra que a consumida por toda a população humana durante um ano inteiro. O problema é que ela está no polo oposto do carvão ou do petróleo: em vez de ser muito concentrada, ela está bastante difusa. Está espalhada; há um pouco dela por toda parte, exceto a noite. O mesmo se dá com o vento e várias outras alternativas. Isso não as torna inviáveis. Podemos não ter uma solução única definitiva, mas talvez tenhamos várias soluções parciais. Devemos pensar na complementaridade das fontes de energia. Usar aquilo que a natureza oferece, porém de forma racional.
Mesmo assim, ainda é difícil vislumbrar de que modo vamos obter energia para o mundo em que estamos habituados a viver. Basta atentarmos para todos os equipamentos que compõem nossa sociedade: todos dependem de materiais poluentes e de combustíveis fósseis que agora estão se esgotando e ameaçando destruir o nosso clima. De algum modo, temos de mudar tudo isso a fim de obter uma matriz energética com outras fontes – e precisamos fazer isso sem que haja colapso da economia global.
Vivemos na emergência de um país novo, sustentável, limpo e justo. Já não é mais suficiente tratar apenas da preservação ambiental, uma vez que sem sustentabilidade social e alimentos para todos, ela torna-se uma meta quase impossível de se alcançar.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

PLANEJAMENTO URBANO - 3a SÉRIE MÉDIO.

      A cidade não pode mais ser acidental. Ela não pode mais surgir simplesmente da vontade dos moradores de viverem em espaços urbanos, não mais rurais. Deve existir uma intenção nesse processo. A urbanização deve ocorrer de forma ordenada e planejada. 
      O simples planejamento urbano já da conta de muitas dificuldades de se urbanizar um espaço. O Plano Diretor, que praticamente inexiste no Brasil, ou está defasado, precisa ser levado a risca, onde já está pronto, e onde não existe, deverá ser montado. A legislação brasileira prevê Obrigatoriedade dos Planos Diretores para Municípios com mais de 30 mil habitantes. Levando em consideração que existem muitos municípios no Brasil a cima desta faixa de habitantes que não possuem seus planos, não possuem planejamento territorial. A ocupação dos espaços dá-se de forma desorganizada e aleatória, acidental, sem o mínimo controle do governo.
      Para evitar problemas urbanos, como aqueles tanto noticiados no Brasil, em 2008, 2009 e 2010, é extremamente necessário modificar os objetivos da territorialidade no nosso país; levando em conta a necessidade de espaços urbanos, considerando-se o problema da habitação e do esgotamento sanitário, deve-se pensar em cidades funcionais, ágeis, porém politicamente e ambientalmente corretas. Se o problema é o espaço, deve-se repensar a urbanização. Horizontalmente, algumas cidades como São Paulo, não podem mais crescer, apenas verticalmente. Então, faz-se necessário a reestruturação dos projetos de ocupação do espaço, para melhor aproveitamento, melhor acomodação, porém sem esquecer que este espaço pode tornar-se instável, a medida que se avança sobre ele de forma desordenada.
      A intencionalidade de uma cidade deve surgir, em primeiro lugar, da vontade própria da sociedade, mas em segundo lugar, do planejamento, da organicidade desta. A urbanização, movimento crescente nos últimos 2 séculos, se acelera a taxas altíssimas nos últimos 20 anos, o que tornou difícil viver nas cidades.
      Conclui-se que a necessidade urgente de existir um planejamento territorial urbano mais eficiente no Brasil, e que seja levado a sério, principalmente em tempos de eleição.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A CIDADE: AGENTES TERRITORIAIS URBANOS


PROFESSOR: LUCIANO SARTORI
              DISCIPLINA: GEOGRAFIA

SÉRIE: 3ª - ENSINO MÉDIO

ESTUDOS EM GEOGRAFIA POLÍTICA

A CIDADE: AGENTES TERRITORIAIS URBANOS
 
A cidade é uma das mais extravagantes expressões da capacidade criativa e das relações de poder empreendidas pela sociedade. É nela que as decisões são tomadas e é, em grande parte, por ela que são tomadas. Deste modo, tanto a cidade quanto o urbano são resultado da forma de organização da própria sociedade, e ao mesmo tempo produto desta.
Contudo, mais importante que os próprios processos de construção e reconstrução urbana, são os agentes territoriais urbanos. É desses que emanam o poder e as estratégias de gestão deste, é a partir deles, e do que definem por prioridade, que são traçadas prioridades e é a partir deles que as decisões são tomadas.
Diante dessa importante variável, que se constituem os agentes territoriais urbanos, é preciso considerar alguns aspectos, como o valor econômico dos recursos humanos de uma cidade e a importância da gestão dos recursos naturais existentes, justamente no sentido de traçar um plano claro de desenvolvimento1. Examinemos mais detalhadamente cada um deles.

1Importante lembrar que a palavra Desenvolvimento difere substancialmente do conceito de Crescimento. Enquanto a primeira prevê o crescimento da economia local, do ponto de vista financeiro, associado à justiça social e ao equilíbrio ambiental, a segunda trabalha apenas com as cifras do aspecto monetário.

Um dos maiores erros cometido pelos responsáveis pela gestão das cidades é a sua ignorância em relação ao aspecto estratégico da população. Muitos não atentam que dela é que emana o potencial criativo, produtivo, de consumo e estratégico-militar.
Cada um desses potenciais configura-se como decisivo, de acordo com o tipo de cidade que se deseja empreender. Essa noção descortina uma forma de pensar e produzir a cidade, bem diferente daquela que imagina a cidade como algo acidental e completamente espontâneo. Lopes (1998, p. 21) deixa isso muito claro quando afirma que “terminou o tempo das cidades acidentais, que cresciam a partir de condicionantes diversas de uma sociedade mais crescente que organizada”. E muito mais que isso, “o mundo exige a cidade internacional, lugar em que o futuro é pensado e construído de forma organizada, participativa e planejada”.
Um exemplo bastante claro do viés estratégico que o potencial dos atores pode ter são os grandes centros de excelência tecnológica na área da informática, entre eles São Paulo, Porto Alegre, Campinas; importantes centros que dependem diretamente da criatividade do ser humano. Outro exemplo é a questão estratégico-militar que as cidades localizadas ao longo da fronteira exercem. É a ocupação desses espaços que garantem a permanência das fronteiras e sua integridade econômica, política e cultural. O potencial produtivo desenvolve-se lado a lado com o de poder de compra, mas com a peculiaridade do primeiro necessitar da qualificação dessa mão-de-obra.
Portanto, o ser humano, seja o papel que exerça na construção do território, ele é peça fundamental para o desenvolvimento. Cada um participando de diferentes territórios, que se sobrepõem, se completam e se materializam no espaço geográfico.
Tanto a cidade como as áreas de produção agrícolas se articulam nesse processo territorial2, que tem como motor produtivo as técnicas e tecnologias em cada sistema econômico, político, cultural, no sentido de apropriação e construção do espaço geográfico.

2 Sendo que o território, segundo Haesbaert (2004), é a articulação dos aspectos econômicos, políticos, culturais e ambientais.


Nesse ínterim, os problemas ambientais (de modo especial os urbanos) são parte desse momento histórico e representa as fragilidades sociais vigentes e a limitação dos instrumentos, técnicas e tecnologias disponível.
A articulação desses diferentes territórios só é possível com o que Castells chamou de geometria fixa ou geometria flexível, que nada mais é do que a configuração das redes e dos fluxos nelas existentes.


Analisando a construção do espaço urbano de Chapecó pode-se perceber que o elemento determinante foi o potencial produtivo, mas também a construção de redes e o estabelecimento de fluxos. Essa realidade é indiscutível no sentido de até 1950 a população do município de Chapecó pouco crescia, pois não contava com um sistema de redes que pudesse dinamizar a construção da economia local. A bibliografia apresenta situações em que, na falta de moeda circulante, o vale-salário era o que imprimia movimento ao nascente município.
Nesse período o aspecto do território mais importante era o ambiental, pois era este quem atraia os imigrantes, era este que definia o ritmo e as atividades locais e principalmente era esse que definia as características das redes e fluxos. Aplicando o conceito de Castells, terem-se portanto, uma geometria fixa no início da colonização do oeste catarinense.
A problemática da circulação era tão importante e definidora do território que a própria suinocultura e bovinocultura se desenvolveu como uma das principais atividades para romper as dificuldades de transporte do produto, o suíno e o bovino podem caminhar até o centro consumidor.

Diante desses aspectos é possível ter uma pequena idéia de como os territórios são integrados e dependem de um sistema de comunicação eficiente e eficaz.
Por outro lado, por mais que o oeste catarinense e Chapecó estivessem com dificuldades de manter amplas redes e fluxos, esse território já participava, direta ou indiretamente, da economia global. Muitos questionariam essa afirmação, mas o que seria o global senão a articulação dos locais? Onde iniciaria o global e findaria o local?
Contudo ainda cabe o questionamento em torno do conceito de economia global e globalização, seria ela realmente global, ou estaria ela apenas agindo em escala mundial. Paulo Nogueira Batista Junior apresenta diversas razões para que assumirmos o conceito de mundialização, haja vista que nem todos os territórios participam dessa economia dita globalizada, mas são mundialmente afetadas pelos que participam. Seja como for, o fato que une os dois conceitos é uma terceira noção, a de interdependência entre os territórios, que é promovida e cimentada pela teleinformática e empresa transnacional.


Sua importância está na própria construção de “novos espaços de fluxos” (LOPES, 1998, p. 43), dando novos significados e paradigmas em torno de conceitos como o de fronteira. Um exemplo muito evidente é a importância econômica, política e cultural da internet no cenário mundial.
Nesse contexto, o local assume um poder de gestão e articulação sob o global. A cidade possui a vocação natural para fomentar esse processo, mas mesmo a ela são necessárias estruturas que possibilitem e alavanquem o desenvolvimento, assumindo liderança no seu raio de influência.
Outras questões também devem ser consideradas ao pensar e escrever sobre cidade, é a própria seletividade e estratificação territorial. Castells é bastante claro quando afirma que:
 
Também é preciso entender que a economia globalizada, gerada na sociedade em rede, não cobre todo o espaço geográfico do planeta, não envolve todos os processos econômicos, não inclui todos os territórios e não envolve todo o povo em seus trabalhos, embora afete direta ou indiretamente toda a humanidade, sendo altamente dinâmica, excludente e instável em suas fronteiras. (CASTELLS,1996 apud LOPES, 1998, p. 27)



Assim, os territórios que busquem se integrar precisarão mais que empresas, mais que a mera produção, mais que realizar o necessário, é uma questão de competitividade inter-territorial, principalmente ao considerar os territórios econômicos.
Nesse sentido, é preciso ter muito claro em que sentido se está planejando a cidade, qual o horizonte desse planejamento e sobretudo quais os objetivos desse. Assim como a cidade não é mais ocasional, mas intencional, também os administradores e suas políticas públicas devem ter muito claro o objetivo que perseguem empreendendo obras.



AVALIAÇÃO



1 – Na sua opinião, por que a cidade é considerada uma das mais extravagantes expressões da capacidade criativa da humanidade?



2 – Segundo o texto, quais foram os elementos fundamentais na constituição da cidade?



3 – Pensando na cidade que você reside, e nas características desta (sobras e faltas), explique por que as cidades de hoje devem ser “Intencionais” e não mais “Acidentais”.











sábado, 14 de julho de 2012

RECURSOS NATURAIS E A ECONOMIA DA REGIÃO DE TRÍPLICE FRONTEIRA: BRASIL, ARGENTINA E PARAGUAI

INTRODUÇÃO

A região compreendida pela porção oeste do estado de Santa Catarina, o Sudoeste do Paraná e a Província de Missiones, na região nordeste da Argentina constitui hoje uma das regiões mais movimentadas e discutidas do Brasil.
Na região Oeste catarinense, a presença da agroindústria posiciona o país como um dos maiores produtores e exportadores mundiais de derivados de carne. Outro fator presente na região é a única passagem por terra para o Mercosul, no estado. Em Dionísio Cerqueira está instalado o Chamado Porto Seco (Dry Port), por onde boa parte das exportações advindas das agroindústrias do Oeste entram na Argentina, e seguem até o seu destino, tanto no país vizinho, bem como para o Chile e Peru. Possui também grande importância para as exportações das demais regiões brasileiras, sendo que possui distâncias menores em relação as outras regiões de fronteira, como São Borja e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Na região Sudoeste do Paraná a presença de duas variáveis de estudo presentes neste trabalho. Na cidade de Foz do Iguaçu, a chamada Tríplice Fronteira. No lado brasileiro, a Cidade de Foz do Iguaçu, no lado Argentino, Puerto Iguazu e no lado do Paraguai, Ciudad de Leste. As três cidades formam uma das mais importantes fronteiras brasileiras. Unindo três paises com um montante muito expressivo de exportações e importações. Na mesma região, está situada uma das sete maravilhas do mundo: As Cataratas do Iguaçu. A formação geológica muito discutida principalmente entre Brasil e Argentina, pois constitui exatamente a divisa entre esses dois paises, e que é visitada por um grande número de turistas todos os anos, vindos de vários paises. Discutida entre o Brasil e o Paraguai, está uma das maiores obras da Engenharia Civil do Mundo: A usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu. A usina tem grande importância no setor econômico do Brasil, sendo que é a maior do pais e fornece energia elétrica para as principais regiões industriais, como o Sul e o Sudeste.
Para a região de Missiones, na Argentina, pode-se citar a sua própria localização. Tem grande importância para as exportações do país para o Brasil, pois é a única província que faz fronteira com o nosso pais. Outro fator é ser a única forma de se chegar até os principais Portos do Brasil, sem ter que adentrar em outro pais, facilitando as exportações para a Europa e outros Continentes, evitando assim utilizar apenas Buenos Aires como ponto de saída para a sua produção. Sua localização também facilita a obtenção de produtos Brasileiros.
Nesta grande região ainda está localizado o que, segundo estudos, é o maior reservatório de água doce do Mundo: o Aqüífero Guarani. O  Aqüífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer. 

PORTO SECO

Estação Aduaneira Interior - EADI, comumente denominada porto seco ("dry port"), é um terminal alfandegado de uso público, situado em zona secundária, destinado à prestação, por terceiros, dos serviços públicos de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro.
Os serviços desenvolvidos em EADI podem ser delegados a pessoas jurídicas de direito privado que tenham como principal objeto social, cumulativamente ou não, a armazenagem, a guarda ou o transporte de mercadorias. A delegação é efetivada mediante permissão de serviço público, após a realização de concorrência. A EADI é instalada, preferencialmente, adjacente às regiões produtoras ou consumidoras.
Na EADI são também executados todos os serviços aduaneiros, a cargo da Secretaria da Receita Federal, inclusive os de processamento de despacho aduaneiro de importação e exportação (conferência e desembaraço aduaneiros). As EADI poderão, ainda, prestar serviços de acondicionamento, recondicionamento e montagem de mercadorias importadas, submetidas ao regime especial de entreposto aduaneiro.




DIONISIO CERQUERIA


A história do Porto Seco propriamente dita, pode começar, talvez, em 1929 quando a vila de Dionísio Cerqueira recebeu a visita do Governador Adolfo Konder, quando esta passou a pertencer ao estado de Santa Catarina após a exaustiva Guerra do Contestado, que em 1917 dividiu a catarinense Dionísio Cerqueira da paranaense Barracão. Mas foi em 1977, após uma reunião de três dias em Brasília, que oficializou-se a habilitação do Porto Seco de Dionísio Cerqueira, para "atender as necessidades do tráfego bilateral de cargas e passageiros" entre Brasil e Argentina. Na época o presidente do Brasil era o general Ernesto Geisel, o governador catarinense era Antonio Carlos Konder Reis e o prefeito municipal, Valdir Maran.

O Porto Seco contudo, passou por 20 anos de latência; só em 1997 é que o movimento da aduana verificou um incremento decididamente significativo na movimentação de cargas. A partir de então a administração municipal de Dionísio Cerqueira tomou como objetivo a construção de uma nova aduana que fosse capaz de responder adequadamente a crescente passagem de caminhões. A mobilização da sociedade, seminários, viagens à capital federal e conversas com ministros e parlamentares, audiências com o governador catarinense de então, Paulo Afonso Vieira, resultaram na liberação de R$ 300 mil da caixa do estado para a construção do prédio da nova aduana, com 540m², inaugurado em dezembro de 1998.

Apenas em 2003, com o governador Luiz Henrique da Silveira é que o novo local recebeu as condições básicas para servir de posto de passagem das cargas de importação e exportação que se faziam sempre mais crescentes. Com 70% de investimento do estado e 30% em contrapartidas do município, além da constante colaboração da Ascoagrin - Associação Comercial e Agroindustrial de Dionísio Cerqueira e Barracão, finalmente foi possível à Receita Federal alfandegar a área e, em 22 de agosto de 2003 entrou em operação o Ponto de Fronteira Alfandegado na única passagem catarinense direta aos paises irmãos do Mercosul e importante corredor de exportação nesta região do Brasil.

Nos dias de hoje, todos os órgãos, instituições e pessoas que tem algum vínculo com o Porto Seco de Dionísio Cerqueira, esperam pela licitação que possibilitará a transferência da administração das "atividades de meio" do Porto à empresa vencedora de tal licitação, deixando para a Receita Federal as "atividades de fim", como acontece nos outros portos do país. Com uma empresa administrando o Porto Seco, a expectativa de negócios mais céleres e seguros será ainda mais reforçada, entre outras coisas, contribuindo para incrementar a curva ascendente da balança comercial brasileira.

Estas cidades tri-gêmeas, em relação aos paises membros, encontram-se no epicentro do Mercosul

Único porto catarinense com saída para os vizinhos do Mercosul, por sua localização geográfica, o Porto Seco de Dionísio Cerqueira apresenta vantagens significativas na passagem de cargas.  Uma destas está no funcionamento integrado da aduana. A agilidade no desembaraço das cargas é outro elemento que dá decidida vantagem ao Porto Seco. Outras estão nas condições de acesso e trafegabilidade, tanto do lado brasileiro, como pelo lado argentino. Estas vantagens são potencializadas pelo encurtamento das distâncias e, pela quase inexistência de rodovias pedagiadas no oeste catarinense e sudoeste paranaense.




Aqüífero Guarani


O Aqüífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, ocupa uma área de 1,2 milhões de Km2, estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²). Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total), abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Esse reservatório de proporções gigantescas de água subterrânea é formado por derrames de basalto ocorridos nos Períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior (entre 200 e 132 milhões de anos).  É constituído pelos sedimentos arenosos da Formação Pirambóia na Base (Formação Buena Vista na Argentina e Uruguai) e arenitos Botucatu no topo (Missiones no Paraguai, Tacuarembó no Uruguai e na Argentina).

A espessura total do aqüífero varia de valores superiores a 800 metros até a ausência completa de espessura em áreas internas da bacia. Considerando uma espessura média aqüífera de 250 metros e porosidade efetiva de 15%, estima-se que as reservas permanentes do aqüífero (água acumulada ao longo do tempo) sejam da ordem de 45.000 Km³. Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 Km³/ano, sendo que desta, 40 Km³/ano constitui o potencial explorável sem riscos para o sistema aqüífero. As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos, sendo que em sua porção confinada, os poços possuem cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h.

A população atual do domínio de ocorrência do Aqüífero Guarani é estimada em 15 milhões de habitantes. Um importante alcance social e econômico das águas subterrâneas da Bacia Sedimentar do Paraná e do Aqüífero Guarani em particular, resulta do fato de estas poderem ser consumidas, em geral, sem necessidade de serem previamente tratadas, tendo em vista os mecanismos de filtração e autodepuração bio-geoquímica que ocorrem no subsolo. Aspectos relativos ao desenvolvimento e uso das funções do aqüífero são ainda incipientes. Dentre estes usos destaca-se o uso energético em balneários e indústrias agropecuárias. O uso da energia termal de suas águas poderá resultar em economia de kilowatts ou na cogeração de energia elétrica.

 Vale ressaltar, que o principal fator de risco da utilização das águas subtarrâneas resulta do grande número de poços rasos e profundos que são construídos, operados e abandonados sem tecnologia adequada, devido à falta de controle e fiscalização nas esferas federal, estaduais e municipais. Nesse quadro, a poluição dos aqüíferos superiores – que ocorre, local e ocasionalmente, tanto no Brasil, Paraguai, Uruguai ou Argentina – poderá contaminar a água que é extraída dos poços profundos que captam do Aqüífero Guarani, até mesmo quando estão localizados nos seus setores confinados.



Área de abrangência do Aqüífero Guarani



  


REGIÕES DE FRONTEIRA

BRASIL X PARAGUAI



Monocultura intensiva e agricultura de subsistência, produção agrícola de exportação e contrabando, colonização de território estrangeiro e segregação espacial. Concentrada numa região historicamente cobiçada e hoje de importância estratégica no contexto do Mercosul, o fluxo brasileiro assumiu nas últimas três décadas grandes proporções, a ponto de constituir um verdadeiro "espaço brasiguaio", cujas dimensões exatas, no entanto, não são totalmente conhecidas, já que boa parte da colonização se desenvolveu nos limites da ilegalidade, ainda que com o aval do poder público.

A imigração brasileira para o Paraguai começa de forma discreta, mas efetiva, nos anos 70, mesma época em que o fluxo para a Amazônica decresce. Este movimento é bem diferente daquele do final da década de 60, quando os primeiros colonos chegam ao país e encontram uma região de fronteira praticamente desocupada, com a população paraguaia concentrada na parte oriental. Dos últimos trinta anos para cá, a paisagem é totalmente diferente. A presença brasileira no Paraguai representa um fenômeno de conseqüências importantes para a dinâmica social e econômica do país.

O Paraguai é hoje um dos principais exportadores de soja, ele é também grande comprador de produtos manufaturados brasileiros. Este comércio é facilitado em grande parte pelos moradores da fronteira que terminam por assegurar ao Brasil uma extensão de seu mercado.



Dionísio cerqueira



O mais interessante de Dionísio Cerqueira é a presença da tríplice fronteira. Apesar de ter pouco mais de 14.000 habitantes, parece mais populosa por estar ligada às cidades de Bernardo de Irigoyen (Argentina) e Barracão (Paraná). Sua localização estratégica carreou inúmeros investimentos e levou o Governo Federal a construir no município o único Porto Seco do MERCOSUL. Dionísio Cerqueira possui a única passagem terrestre de Santa Catarina para o MERCOSUL e seu Porto Seco é a principal rota interoceânica entre as grandes metrópoles do Mercado Comum. É o ponto mais próximo entre Buenos Aires e São Paulo.

Principais atividades econômicas - Agricultura, importação e exportação.



SUDOESTE  DO PARANÁ

No sudoeste, em todos os municípios a população rural apresenta forte retração. O meio rural que sempre foi baseado em minifundios apresenta agora um crescimento da concentração fundiária. As razões para isso vão desde consecutivas quebras na safra, até a tradicional busca de melhores condições de vida que sempre motivou o componês a mudar-se para a cidade.

Foz do Iguaçu está localizado no extremo oeste do terceiro planalto paranaense, sendo o município mais a oeste do Paraná. O relevo é suavemente ondulado, o que contribui muito para o desenvolvimento da agricultura. A oeste do município corre o Rio Paraná, ao sul o Rio Iguaçu, ao norte fica o Lago de Itaipu e a sudeste o Parque Nacional do Iguaçu, uma das últimas reservas de mata nativa intacta que existem no Paraná. No sudoeste de Foz os Rios Iguaçu e Paraná se unem formando a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai.

Economia


As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo e a geração de energia elétrica. A cidade é famosa por suas atrações turísticas que atraem turistas do Brasil e do mundo. Entre elas estão as Cataratas do Iguaçu, o Parque Nacional do Iguaçu, ( Patrimônio Mundial Natural da Humanidade tombado pela UNESCO ) a Hidrelétrica Binacional de Itaipu (maior hidrelétrica do mundo), o Marco das 3 Fronteiras, a foz do Rio Iguaçu no Rio Paraná (área onde as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai se encontram), a Ponte Internacional da Amizade (divisa entre Brasil e Paraguai), o Parque das Aves ( com aproximadamente 900 aves de 150 espécies), entre outras atrações turísticas.

OESTE DE SANTA CATARINA



A economia se baseia na agroindústria. O estado de Santa Catarina é o maior exportador de frango e de carne suína do Brasil, sendo a BR Foods a maior empresa brasileira do setor, e uma das maiores de mundo

A suinocultura experimentou grande progresso no estado, em virtude do desenvolvimento dos frigoríficos especializados no processamento de carne de porco. Grande expansão se verificou ainda na criação de aves.

Os campos do Oeste são o "celeiro" de Santa Catarina, de onde sai boa parte da produção brasileira de grãos, aves e suínos. Frigoríficos de grande e médio porte estão associados aos produtores rurais em um modelo bem-sucedido de integração: as empresas fornecem insumos e tecnologia e compram a produção de animais. A região também começa a explorar o potencial turístico de suas fontes hidrotermais. Os principais municípios são Chapecó, Xanxerê, Concórdia e São Miguel do Oeste.

O estado de Santa Catarina está coberto por quatro grandes regiões ecológicas, ou seja, Floresta Tropical Atlântica, Floresta de Araucária, os Campos do Planalto e a Floresta Subtropical do Rio Uruguai, além da Vegetação Litorânea, Formações Pioneiras - Mangue e Restinga. A Floresta Tropical Atlântica e a Vegetação Litorânea situam-se na Vertente do Atlântico, onde se formam 12 (doze) bacias hidrográficas, e é onde dois terços da população catarinense reside. A Floresta de Araucária, Campos do Planalto e Floresta Subtropical do Rio Uruguai, situam-se na Vertente do Interior (região do planalto catarinense), onde se formam duas grandes bacias hidrográficas. Originalmente a cobertura florestal ocupava 81,5% da superfície do território catarinense, sendo que a maior parte era constituída pela Floresta de Araucária. A Floresta Tropical Atlântica cobria aproximadamente 30% desta área.

A Floresta de Araucária foi quase totalmente dizimada pela exploração madeireira, dando lugar à agropecuária e silvicultura de espécies exóticas (Pinnus spp. e Eucalyptus spp.). A Floresta Tropical Atlântica atualmente ocupa 7% de sua área original, cujos principais fatores de sua destruição foram o desflorestamento para fins energéticos, substituindo o óleo combustível, e para ceder lugar à agricultura e pastagem.

  

BIBLIOGRAFIA

SILVA, Rosa B.G. da. Perfil dos Poços de água profunda. São Paulo: 1983. Disponível em http://www.aquiferoguarani.hpg.ig.com.br. Acesso em 22 abr. 2007.

 SECRETARIA DE TRIBUTACCION ALFANDEGARIA. Missiones, Argentina, 2007. Disponível em: http://www.secta.gov.ar/banco_dados. Acesso em 21 abr. 2007.

ASCOAGRIN – Associação Comercial Agro-industrial. Barracão/Dionísio Cerqueira, 2004. Disponível em: www.viamercosul.com.br/portoseco. Acesso em 25 abr. 2007.


CATÁSTROFES AMBIENTAIS: CULPA DOS FENÔMENOS CLIMÁTICOS?


               CATÁSTROFES AMBIENTAIS: CULPA DOS FENÔMENOS CLIMÁTICOS?



               Nos últimos cinco (5) anos tornou-se comum ouvirmos nos diversos meios de comunicação notícias sobre catástrofes ambientais, sobretudo aquelas que provocam grandes perdas de contingente humano, e principalmente de bens materiais. Tornou-se corriqueiro para os veículos de comunicação vincularem notícias sobre estes eventos climáticos dedicando um certo grau de sensacionalismo, forçando a população á forjar uma opinião a cerca do motivador desta catástrofe.

               Fenômenos como El Niño, principalmente, são alvos de críticas por parte da mídia, que costuma associar algumas catástrofes, muitas vezes não naturais, á este que é um evento natural no planeta, que possui alguma regularidade de acontecimento, porém, muitas vezes imprevisível do ponto de vista das conseqüências.

               Pode-se citar, por exemplo, alguns incêndios florestais, que muitas vezes são associados á baixa umidade do ar e á alta temperatura nos meses do verão, principalmente em países tropicais, como o Brasil. Porém, devemos lembrar que a maioria dos casos de incêndios florestais, que geralmente acabam devastando também plantações ou áreas residenciais, tem origem em formas de manejo inadequado, tanto da agricultura (convencional de subsistência ou moderna) como na indústria, comércio ou serviços.

               O fato de estar acontecendo o fenômeno El Niño não condiciona a ocorrência de incêndios, mas sim pode acarretar em uma rápida propagação das chamas, devido ás altas temperaturas. Outro exemplo são os alagamentos, em regiões que apresentam aumento excessivo dos índices pluviométricos em meses do verão. Um exemplo claro disso, é a cidade de São Paulo, que recebe uma descarga de pluvial muito maior do que o normal, nas épocas de ocorrência do El Niño.

               Durante uma enchente, a primeira notícia que é vinculada na mídia são imagens de pessoas desesperadas, perdendo seus bens, ou tentando salvá-los a todo custo, deixando muitas vezes até a própria vida em risco. A população sempre acaba encontrando alguém ou algo para por a culpa pela catástrofe, menos é claro, suas próprias atitudes. Quando observamos uma enchente, podemos notar algumas características básicas: Geralmente acontecerá em locais superpovoados; sempre será percebida uma enorme quantidade de lixo nas ruas; acontecerá nas encostas de morros onde ocorrem os deslizamentos e soterramento de casas, sempre acontecerá em cidades com contingente de população pobre muito grande e geralmente virá sucedido de um surto de doenças venéreas.

               O que dificilmente é mostrado nos canais de comunicação é a verdadeira causa das enchentes, deslizamentos e soterramentos. A mídia acaba não dando importância para as informações de Profissionais como Geógrafos, Geólogos e Engenheiros Civis, quando estes alertam para construções em áreas irregulares, grandes alterações no relevo, em especial aqueles nas encostas dos morros, e principalmente ás mudanças climáticas em curto prazo.

               A população, que se acostumou a esperar pelos desastres á mudar seus hábitos para evitá-los, acaba por sofrer as conseqüências, e após perder quase tudo, acaba pondo a culpa pelas catástrofes no clima e nos seus fenômenos. Talvez poderíamos dizer que é falta de informação, conhecimento, mas temos uma gama gigantesca de veículos de comunicação que nos informam sobre estes eventos, e que podem nos ensinar como lidar com o Meio Natural a fim de não interferir na sua dinâmica. Porém, quantos são os cidadãos que "perdem" alguns minutos vendo um noticiário, vendo a previsão do tempo, ou mais que isso, lendo um livro, revista ou vendo um documentário sobre os fenômenos naturais, e sobre a dinâmica estrutural da Natureza?

               Devemos lembrar que eventos climáticos acontecem no planeta Terra desde a sua origem, a aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Devemos nos acostumar com a ideia de que a natureza sofre influência externa, das atividades humanas, mas que ela possui uma ordem de ação e reação, que não pode ser modificada. E devemos principalmente, nos conscientizar que devemos conhecer bem o meio natural antes de ocupá-lo e explorá-lo. Devemos entender como ele funciona, antes de julgá-lo.