CATÁSTROFES AMBIENTAIS: CULPA DOS FENÔMENOS
CLIMÁTICOS?
Nos últimos cinco (5) anos tornou-se comum ouvirmos
nos diversos meios de comunicação notícias sobre catástrofes ambientais, sobretudo
aquelas que provocam grandes perdas de contingente humano, e principalmente de
bens materiais. Tornou-se corriqueiro para os veículos de comunicação
vincularem notícias sobre estes eventos climáticos dedicando um certo grau de
sensacionalismo, forçando a população á forjar uma opinião a cerca do motivador
desta catástrofe.
Fenômenos como El Niño, principalmente, são alvos de
críticas por parte da mídia, que costuma associar algumas catástrofes, muitas
vezes não naturais, á este que é um evento natural no planeta, que possui
alguma regularidade de acontecimento, porém, muitas vezes imprevisível do ponto
de vista das conseqüências.
Pode-se citar, por exemplo, alguns incêndios
florestais, que muitas vezes são associados á baixa umidade do ar e á alta
temperatura nos meses do verão, principalmente em países tropicais, como o
Brasil. Porém, devemos lembrar que a maioria dos casos de incêndios florestais,
que geralmente acabam devastando também plantações ou áreas residenciais, tem
origem em formas de manejo inadequado, tanto da agricultura (convencional de
subsistência ou moderna) como na indústria, comércio ou serviços.
O fato de estar acontecendo o fenômeno El Niño não
condiciona a ocorrência de incêndios, mas sim pode acarretar em uma rápida
propagação das chamas, devido ás altas temperaturas. Outro exemplo são os alagamentos,
em regiões que apresentam aumento excessivo dos índices pluviométricos em meses
do verão. Um exemplo claro disso, é a cidade de São Paulo, que recebe uma
descarga de pluvial muito maior do que o normal, nas épocas de ocorrência do El
Niño.
Durante uma enchente, a primeira notícia que é
vinculada na mídia são imagens de pessoas desesperadas, perdendo seus bens, ou
tentando salvá-los a todo custo, deixando muitas vezes até a própria vida em
risco. A população sempre acaba encontrando alguém ou algo para por a culpa
pela catástrofe, menos é claro, suas próprias atitudes. Quando observamos uma
enchente, podemos notar algumas características básicas: Geralmente acontecerá
em locais superpovoados; sempre será percebida uma enorme quantidade de lixo
nas ruas; acontecerá nas encostas de morros onde ocorrem os deslizamentos e
soterramento de casas, sempre acontecerá em cidades com contingente de
população pobre muito grande e geralmente virá sucedido de um surto de doenças
venéreas.
O que dificilmente é mostrado nos canais de
comunicação é a verdadeira causa das enchentes, deslizamentos e soterramentos.
A mídia acaba não dando importância para as informações de Profissionais como
Geógrafos, Geólogos e Engenheiros Civis, quando estes alertam para construções em
áreas irregulares, grandes alterações no relevo, em especial aqueles nas
encostas dos morros, e principalmente ás mudanças climáticas em curto prazo.
A população, que se acostumou a esperar pelos
desastres á mudar seus hábitos para evitá-los, acaba por sofrer as
conseqüências, e após perder quase tudo, acaba pondo a culpa pelas catástrofes
no clima e nos seus fenômenos. Talvez poderíamos dizer que é falta de
informação, conhecimento, mas temos uma gama gigantesca de veículos de
comunicação que nos informam sobre estes eventos, e que podem nos ensinar como
lidar com o Meio Natural a fim de não interferir na sua dinâmica. Porém,
quantos são os cidadãos que "perdem" alguns minutos vendo um
noticiário, vendo a previsão do tempo, ou mais que isso, lendo um livro,
revista ou vendo um documentário sobre os fenômenos naturais, e sobre a
dinâmica estrutural da Natureza?
Devemos lembrar que eventos climáticos acontecem no
planeta Terra desde a sua origem, a aproximadamente 4,6 bilhões de anos.
Devemos nos acostumar com a ideia de que a natureza sofre influência externa,
das atividades humanas, mas que ela possui uma ordem de ação e reação, que não
pode ser modificada. E devemos principalmente, nos conscientizar que devemos
conhecer bem o meio natural antes de ocupá-lo e explorá-lo. Devemos entender
como ele funciona, antes de julgá-lo.
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